Rodrigo Lemos - Arquiteto, baterista, cervejólogo, beer sommelier, presidente da Confraria da Cerveja de BH e membro fundador da Acerva Mineira.

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O Blog da Cerveja

Este blog foi configurado por um apreciador, colecionador e estudioso dessa bebida maravilhosa que é a cerveja. Este espaço tem a pretensão de informar, esclarecer e divulgar um pouco mais esse universo fascinante da melhor bebida do universo.
Divirtam-se e... saúde !!!




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Monday, February 11, 2008
NOVO ENDEREÇO

    Caríssimos,

    O Beer Architecture está de casa nova!

    http://beerarchitecture.wordpress.com/

    Gostaria de agradecer muito a todos pelo prestígio, interesse e entusiasmo nesses dois anos de resenhas, avaliações e muita cerveja. O novo endereço permitirá a adição de links, quantidade de arquivos bem maior e o acompanhamento via rss, antiga reinvindicação dos leitores! Espero que todos adotem esse novo endereço com todo o entusiasmo que ele tem me proporcionado!

    E, para estrear, uma resenha sobre a London Porter, incrível cerveja da soberba cervejaria londrina Fuller's.

    Um abraço, um brinde e §11!

    Rodrigo Lemos - cervejólogo e beer sommelier

Posted at 10:17 pm by guitarchitect
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Monday, January 28, 2008
EISENBAHN MAIS QUE PREMIADA!

   

    A Eisenbahn, ou Cervejaria Sudbrack, de Blumenau-SC, acaba de ganhar mais um prêmio, e um prêmio e tanto. As cervejas Eisenbahn Dunkel e Eisenbahn Weizenbock foram eleitas medalha de bronze nas categorias German-Style Schwarzbier e South-German-Style Weizenbock Dunkel, respectivamente, no concurso internacional European Beer Star de 2007. O European Beer Star é um concurso disputado por cervejarias de todo o mundo, e é atualmente o mais importante concurso do gênero realizado na Alemanha. O fato da Eisenbahn ter sido a primeira cervejaria da América do Sul a ganhar medalhas, ainda mais com representantes de estilos tipicamente alemães, é um feito e tanto. O que não me surpreendeu tanto, pois tenho plena convicção da qualidade das cervejas que eles produzem.
     Alguns detalhes: na categoria German-Style Schwarzbier as medalhas de ouro e prata foram, respectivamente, a Bosch Porter e a Samuel Adams Black Lager, e na categoria South-German-Style Weizenbock Dunkel as medalhas de ouro e prata foram a Schneider Aventinus e a Jura Weizenbock. Daí pode-se mensurar o nível do concurso e em que patamar as cervejas da Eisenbahn estão sendo colocadas.
    Parabéns a todos da Eisenbahn por mais esta conquista! A cada dia provamos mais que brasileiro sabe fazer cerveja!

    Ein prosit mit Eisenbahn!!!

    P.S: Em breve um post com a análise das premiadas, em homenagem a essa boa notícia...

Posted at 10:10 pm by guitarchitect
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Wednesday, January 16, 2008
MINI-TOUR CERVEJEIRA

    Olá pessoal !

    Espero que 2008 tenha começado muito bem para todos! Eu tive a oportunidade de abri-lo com chave de ouro, conhecendo finalmente Santa Catarina e passeando por inúmeros lugares incríveis, inclusive três cervejarias, como não poderia ser diferente...
    Portanto aí vai um resumo do meu roteiro cervejeiro de férias, e de onde achar cervejas diferenciadas por onde passei:
 A primeira parada foi para o café da manhã, num posto em Joinville, desses cuja lanchonete/restaurante/conveniência são gigantescos. Até então não tinha bebido nada além de água, refrigerante e sucos, pois me negava a beber as cervejas disponíveis nas paradas de Minas e São Paulo (as mesmas de sempre)... O primeiro sinal de que estava realmente no Sul veio quando me deparei com o freezer da lanchonete em questão: Eisenbahns Pilsen, Kölsch, Weizen e Dunkel geladinhas, prontas para consumo. Não preciso dizer que meu café da manhã foi um misto quente (do tamanho de um brontossauro, diga-se de passagem) com uma Eisenbahn Kölsch, deliciosa... "Isso que é começar a viagem com o pé direito", pensei.

   

   Ao chegar em Balneário Camboriú, fiquei impressionado com a quantidade de prédios, bares, restaurantes e lojas. Hospedado num hotel extremamente bem localizado, tratei de rodar o centro da orla e adjacências, prestando atenção no que os bares serviam. Lá a penetração das microcervejarias catarinenses é maior, disputando espaço e pontos de venda com as macros. Há bares que servem Zehn Bier, Bierland, Eisenbahn e até Opa Bier. A cultura é de chopp e, principalmente, long necks servidas em baldes com gelo. Nada de cerveja 600ml dividida entre os amigos, como é o costume aqui em Belo Horizonte. Logo achei um ponto onde era servido o chopp Eisenbahn Pilsen (o weizen estava em falta) e me acomodei de frente para o mar, apreciando o vaivém dos turistas e nativos. Para meu azar, o chopp estava velho e contaminado, com certeza por falta de assepsia na chopeira e provável pouco movimento do bar. Fui logo procurar outro ponto onde vendia Eisenbahn, mesmo que em garrafa.

   

   Mais à frente, uma série de bares, um ao lado do outro, concentravam o movimento dos beberrões e comensais. Mundo Selvagem, Fritz Müller e a "holding" Chaplin (com o bar numa esquina e o restaurante na esquina seguinte, além de pelo menos dois outros endereços na cidade) disputavam a preferência dos que queriam cerveja, muvuca e vista pro mar. Ao examinar o cardápio do Chaplin e constatar a presença de Eisenbahns Pilsen, Weizen e Dunkel, aterrisei na primeira cadeira disponível e pedi uma pilsen, única disponível no dia. Petiscos, contemplação das ondas, tudo certo... depois de morta a sede e a fome, fomos em busca de mais cerveja. Não que tivéssemos que andar muito. Ao lado, no Fritz Müller, era servido o chopp pilsen Zehn Bier, de Brusque. Mais chopp, mais petiscos. Servido numa pint de 300ml sem nenhum logotipo, o chopp se mostrou com pouca presença de malte e, principalmente, lúpulo, e com acidez acima do desejado. A segunda pint confirmou a impressão. Logo pensei que o chopp porter da cervejaria deveria estar disponível para comparação, desconfiando que ele se sairia melhor na degustação.

   

     No segundo dia, depois de declinar da expedição ao Beto Carreiro com mais de 20 crianças, partimos para o roteiro Centro - Praia de Laranjeiras, via bondinho aéreo. Lá tiramos as melhores fotos de toda a viagem, e vimos que o passeio é de tirar o fôlego, em todos os sentidos. Meu medo de altura foi recompensado pelo visual estonteante (sem trocadilhos, hehe...). Descemos na estação no alto da montanha, tiramos fotos no mirante e fizemos o famigerado arvorismo. Muito, muito bom, mas cheguei às duras penas e na prática a uma conclusão: arvorismo não é recomendado a atletas do copo com peso acima dos dois dígitos. Com o braço roxo, algumas escoriações e hematomas, cobrei caro: falei pra Thaís "você me deve cinco cervejas". Afinal, a idéia tinha sido dela... Ao voltar de Laranjeiras, tudo que queria era tomar banho, dormir e depois jantar e cobrar minha dívida, hehehe... mas ela teve que ser postergada, pois à noite rolou show do Armandinho, Edú Ribeiro e El Niño, na praia, de graça. Os ambulantes vendiam até dose de Red Label com Red Bull, mas nenhuma Red Ale... é, deixa pra amanhã...

   Terceiro dia: Blumenau!!! Enfim, chegou o grande dia, o ponto alto da expedição. Após o city tour que nos prendeu até 3 da tarde, encontramos com nosso comparsa Feijão (obiercevando.blogspot.com) e fomos direto à Eisenbahn. Lá, após fazer a visitação à fábrica, constatar que ela é muito menor do que a gente imagina e degustar o primeiro chopp pilsen ao pé do tanque, sentamos no pequeno porém aconchegante pub que fica logo na entrada e aí constatei a primeira de várias boas notícias: Eisenbahn 5 em promoção, a 1,99. Uma benção para nós, entusiastas do lúpulo. Comecei degustando os quatro chopps, e o que mais me impressionou foi o dunkel. Se na garrafa a cerveja se revela com forte aroma de café, no chopp os aromas de café e chocolate se equilibram, lembrando um belo capuccino gelado. Saborosíssimo. Bebi o segundo acompanhado da trufa de Bierlikör. Perfeito.

   

   Depois de várias Eisenbahns 5, embutidos alemães defumados e petiscos diversos, pedi uma rauchbier para somar ao defumado dos tira-gostos. Mas aí o relógio falou mais alto e tivemos que levantar acampamento. Fiz minhas compras (copos, camisetas, cervejas, balde da Lust e etc.) e pedimos mais uma 5 para viagem. Deixamos a Eisenbahn rumo à Bierland, outra cervejaria blumenauense, do outro lado da cidade. Instalada ao fundo de um amplo estacionamento em chão de brita, numa rua extremamente aprazível, a cervejaria oferece um pequeno número de mesas sobre o deck de madeira e três tipos de chopp: pilsen, weiss e bock. Sem demora, degustei os três, nesta ordem. O pilsen eu já conhecia, pois havia bebido em Camboriú, mas lá ele se apresentou melhor, mais fresco e com as características mais preservadas. Denso, com acidez controlada, presença de malte e lúpulo, muito saboroso. O Weiss se apresentou correto, fiel ao estilo, turvo, espuma abundante, porém não muito esterificado ou aromático. Porém o bock se revelou excelente. Caramelizado, picante, tostado, todas as características do estilo muito presentes e equilibradas. Deixou uma sensação residual bem agradável de amargor do lúpulo e dos maltes torrados. Enfim, um belo trio. Aguardamos eles em garrafa por aqui, afinal de contas o Brasil precisa de mais pilsens e bocks de boa qualidade nas prateleiras.

   


   Nem o cansaço nos impediu de ir a Gaspar, cidade vizinha a Blumenau, para conhecer a Das Bier. De cara, o que impressiona é o sítio em que a cervejaria foi construída. Uma belíssima e ampla edificação instalada ao pé de uma colina recuada e acima de um pequeno lago, que conta com um bar espaçoso, com amplo deck de vista privilegiada. Somente o bar já valeria a visita, mas a Das Bier tem mais méritos. Além da simpatia do dono, Emerson, que nos recebeu com enorme cortesia, a cerveja faz jus à atmosfera. Começamos pelo pilsen, feito no dia, conforme nos avisou o extremamente simpático garçom. Nada como cerveja fresca. Dá vontade de beber sem parar. Depois pedimos o weiss, recém desenvolvido pela cervejaria. De todas as cervejas do estilo que já degustei, esse chopp foi o que apresentou o aroma de tutti-frutti mais intenso. Tão intenso que lembra chiclete. Por fim, experimentamos o Braunes Ale, um amber ale com agradável presença de maltes torrados e caramelizados e agradável lupulagem. Já era tarde, e tínhamos que voltar a Camboriú. Nos despedimos do mestre Feijão e descemos o Vale do Itajaí.

   


    Nos outros dias, entre o roteiro pela rodovia Interpraias (imperdível!), pausa na cerveja para beber umas tequilas chacoalhantes no Guacamole e um dia em Floripa com direito a mega porção de ostras (pena que sem weissbier) na areia de Joaquina, a impressão que ficou é que temos que voltar pelo menos mais duas vezes para refazer o roteiro, e visitar as cervejarias que ficaram de fora.

    Santa Catarina merece, definitivamente, um grande brinde! Prosit!!!


Posted at 10:25 pm by guitarchitect
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Friday, December 28, 2007
FELIZ NATAL E FELIZ 2008!!!

     

   Olá pessoal !!!

      Fim de ano é corre-corre, todo mundo sabe, e acabou que não tive tempo de postar a contento todas aquelas resenhas que estava devendo. Mas volto logo de viagem e irei me redimir com cerveja.
    Por ora, só gostaria de agradecer a todos pelo prestígio, pela leitura, comentários sempre enriquecedores e pertinentes e pelo entusiasmo!
      E também desejar um Feliz Natal, ainda que atrasado, e que 2008 seja tão sensacional para a cultura cervejeira quanto eu imagino que será!

    Vocês fazem parte disso!!!

    Um grande abraço e um brinde!!!

    Cerevisia quae vespera tamem !
    §11!!!

    Crédito das fotos: Veja - Coluna Ed Motta - Manual prático da boa vida (descontinuada)

Posted at 06:24 pm by guitarchitect
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Tuesday, December 11, 2007
FULLER'S

    

    Uma grata surpresa foi a chegada das Fuller's aqui no Brasil. Lendária representante da escola inglesa, a Fuller's sempre gozou de prestígio e fama por causa de cervejas como a Fuller's London Pride.
    A cervejaria de Chiswick, distrito de Londres, parece ser extremamente orgulhosa das cervejas que produz, e o orgulho e esmero transparecem em suas garrafas. E é pra ter mesmo. Degustei as 5 versões disponíveis no Brasil: London Pride, Golden Pride, 1845, London Porter e ESB.

   

    A Golden Pride é uma barley wine estupenda. Licorosa, de final doce, maltes caramelizados, alcóolica (8,5% A.B.V.), aroma intenso de lúpulo, frutada, encorpada, de final persistente. Complexa, rica, forte, muito aromática e saborosa, é uma cerveja de enorme envergadura.

   

    Já a 1845 é uma strong ale acachapante. Maturada por 100 dias (!!!), é a cerveja comemorativa dos 150 anos da cervejaria, e possui o melhor aroma de cerveja inglesa que já senti. Um bouquet de lúpulo absurdamente aromático, cercado por maltes caramelizados, ésteres de frutas, carvalho e bala toffee. Com o teor de apenas 6,3%, apresenta sabor e corpo próximos de uma barley wine. Amargor balanceado, sabor persistente, é uma ale pra se tomar de joelhos. Não é à toa que é multipremiada...

   

    A London Porter é uma representante digna do estilo. Uma porter com todas as características do estilo muito bem balanceadas e presentes: aromas e sabores de chocolate, café, torrado, toffee e baunilha, cor marrom escuro, quase preta, e teor alcóolico de 5,4%. Satisfação garantida aos fãs do estilo.

   

    A London Pride exibe as qualidades das cervejas anteriores, principalmente no que diz respeito à complexidade de sabores e aromas, o uso magistral dos lúpulos aromáticos e de sabor e dos maltes caramelizados. Talvez falte um pouco de corpo e álcool (4,7%) para tanta complexidade de aromas e sabores, mas mesmo assim é uma tremenda cerveja.

   

    Já a ESB foi uma decepção relativa. Relativa porque, apesar de absurdamente deliciosa, aromática, viciante, esperava mais amargor e álcool dela. Principalmente amargor, que é menor do que de algumas pale ales. Seria um amargor proporcional ao da Ruddles County, por exemplo, porém mais persistente. Esperava mais perigo, mais intensidade, afinal era uma ESB. Com certeza, trata-se mais de uma extra special bitter do que uma extra strong bitter. No final, se mostrou fácil de beber,  "comportadinha". Mas, ainda assim, deliciosa.

    Aguardo agora, ansiosamente, as Samuel Smith. Acredito ser o próximo passo a se dar em termos de cervejas inglesas.

    Hail to the pride!

    Ouvindo: Led Zeppelin - Over The Hills And Far Away
   
    (Crédito fotos: Rodrigo Lemos e site Boxer do Brasil.)

Posted at 07:47 pm by guitarchitect
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Wednesday, December 05, 2007
SÉRIE TRAPISTAS VOL.2 - ROCHEFORT 8

       

     Ok, ok, ok. Vou tentar não exagerar na resenha. Mas é difícil não exagerar na avaliação dessa cerveja, que permanece como minha favorita até hoje...
     As que poderiam tomar o posto dela? Talvez a St. Feuillien Tripel ou as próprias Rochefort 6 e 10... mas ainda careço de fazer um embate final entre as quatro, ao mesmo tempo, para dirimir a dúvida. Assim que a "final stand" acontecer, posto aqui sem delongas.
    Falando em delongas, faz tempo que não atualizo por falta de tempo mesmo. Com o número gigantesco de cervejas degustadas nesse meio tempo, as resenhas futuras terão que ser um pouco mais sucintas, tal o volume de "novidades". Prometo detalhar mais quando for mais oportuno, principalmente sobre as grandes cervejas.
    Mas vamos ao que interessa. As Rocheforts são cervejas produzidas por um dos poucos mosteiros-cervejarias da ordem trapista. A ordem, derivada dos beneditinos, sempre esteve associada à tradição católica belga medieval de produção de cervejas que hoje são famosas por sua qualidade e importância na tradição belga de se produzir cerveja. Embora muitas dessas abadias, mosteiros ou monastérios datem das eras medievais, a produção de cerveja pela ordem trapista como se conhece hoje é relativamente, geralmente depois da Revolução Francesa e da era napoleônica (o baixinho foi um verdadeiro anti-mecenas da produção de cerveja na Europa).
    Os monges da Abadia Notre-dame de Saint-Remy são tidos como dos mais reclusos da já originalmente reclusa ordem trapista. Extremamente contritos e religiosos, levam muito a sério seus ofícios, e supervisionam a produção do néctar com seriedade. O resultado são três cervejas que realmente aproximam o degustador de Deus. Todas são escuras, fugindo um pouco da tradicional progressão blonde-dubbel-tripel-quadrupel, riquíssimas, complexas, arrebatadoras.
    A Trappistes Rochefort 8 é uma cerveja de cor marrom, espuma bege, densa, persistente, com aromas extremamente complexos, licorosos, doces, lembrando vinho do porto, uvas passas, ameixas, chocolate, açúcar mascavo, frutas (figo, pêra, maçã) e mel. Sua profusão de sabores é comparável à de aromas, onde sentimos maltes caramelizados, corpo aveludado e licoroso, álcool presente, frutas pretas, açúcar mascavo e especiarias como cravo. É muito complexa e intensa. Seu teor alcóolico é de 9,2%, "muito bem distribuídos". É uma cerveja cuja qualidade é unânime: qualquer pessoa que a bebe fica extasiado por sua qualidade.
    Fica a sugestão. Se vir uma na sua frente, não hesite em comprar, por mais cara que seja. Lembre-se que, se fosse um vinho, essa belezinha custaria no mínimo 2000,00 a garrafa...

    Ouvindo: Bruce Springsteen - The River
   

Posted at 09:33 pm by guitarchitect
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Sunday, November 18, 2007
SÉRIE TRAPISTAS VOL.1 - ORVAL

   

    A lenda diz que uma viúva, de nome Mathilda, perdeu seu anel de casamento, que caiu acidentalmente numa fonte. Ela rezou a Deus e imediatamente uma truta apareceu na superfície com seu anel na boca. Em gratidão, a viúva decidiu estabelecer um monastério no lugar onde hoje ele se encontra.
    A história do lugar remonta aos anos 1000, porém, somente em 1926 as ruínas de Orval foram oferecidas à Ordem dos monges Cistercienses, mais conhecidos como Trapistas, que a reconstruíram e lá se estabeleceram. Lá iniciaram a produção de cerveja e queijo, que mantêm até hoje.
    A Orval é uma cerveja muito peculiar, mesmo para os padrões belgas. É feita com adição de açúcar cervejeiro no mosto, maltes em sua maioria claros, além de uma pequena quantidade de malte caramelo e os lúpulos Hallertau e Styrian Goldings (alemão e iugoslavo, respectivamente), além de cepa própria de fermento, que trabalha de 15ºC a 20ºC e nada menos que a água da fonte da viúva Mathilda! Os lúpulos são adicionados também na segunda fermentação, para aperfeiçoar os aromas. Após uma maturação de três semanas à temperatura de 15ºC, açúcar líquido e fermento são adicionados para a refermentação na garrafa. Por quatro semanas, a cerveja descansa, sempre à temperatura de 15ºC, quando pode finalmente deixar a cervejaria do monastério, depois de 2 meses completos.
    Envasada numa garrafa de vidro âmbar no belíssimo formato de pino de boliche, com um sutil rótulo em forma de colar em volta de seu pescoço, mostrando o símbolo da cervejaria (a truta com o anel na boca), a cerveja se apresenta turva, de cor castanho-âmbar, e espuma muito densa e abundante, de cor caramelo, rica. O aroma é único: fortemente medicinal, lembra em primeiro lugar iodo, e também zimbro, floral. Na boca se revela ácida, cítrica, até mesmo salgada, densa e complexa. O álcool se revela presente e aquece, apesar dos modestos 6,2%, que podem ser considerados baixos para esse tipo de cerveja. E não foge à regra das cervejas belgas, que ficam melhores à medida que vão esquentando no copo. No caso da Orval isso é mais nítido, levando-se em consideração que o choque inicial de uma cerveja tão peculiar é absorvido à medida que se sorve o líquido, e se acostuma rápido à sua complexidade e seu sabor único.

    Ouvindo: Exodus - Throwing Down

Posted at 08:25 pm by guitarchitect
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Tuesday, November 13, 2007
WATERLOO 7 TRIPEL, TRAQUAIR HOUSE ALE E PILSNER URQUELL

       
    
   
    Duas cervejas belgas da Brasserie Du Bocq chegaram recentemente ao Brasil na versão garrafa de 750ml (rolha e gaiola): a Waterloo 7 Tripel e a Waterloo 8 Double Dark (Dubbel). Fundada em 1858, a cervejaria é famosa pelas cervejas La Gauloise e Te Deum.

    A Waterloo 7 Tripel é uma cerveja que vai agradar qualquer amante das belgas. É uma tripel muito saborosa, equilibrada e suave, com todas as características típicas de uma tripel não muito condimentada: cor alaranjada, aromas cítricos e complexos, espuma abundante, 7,5% de álcool e sabor muito agradável. Agrada em cheio. Pra beber em quantidades maiores felizão...

    A Traquair House é uma cervejaria escocesa recente, que iniciou suas atividades em 1965. Sua scotch ale é feita de maltes escoceses e lúpulo East Kent Goldings, exclusivamente. O resultado é uma cerveja escura e avermelhada, parcialmente turva e bastante aromática. Tem 7,2% de álcool e é fermentada em barris de carvalho, adquirindo um certo caráter de vinho do porto e jerez no sabor e aroma, além de frutas escuras, ameixa, passas e baunilha. É bastante esterificada para uma cerveja de escola inglesa, e, curiosamente, lembra muito a Chernobier, cerveja artesanal do confrade Rômulo Gresta (por sinal, nosso próximo entrevistado). A Traquair House Ale é considerada a 7ª melhor cerveja britânica pelo Beer Advocate e ganhou a Medalha de Platina do Campeonato Mundial de Cervejas do guru Michael Jackson (não aquele...). Ah, e não se preocupe se a cerveja vai chegar velha. A data de validade vai até dezembro de 2016...

    Já a Pilsner Urquell acredito não precisar de apresentações. Finalmente ela volta ao Brasil, mas está pela hora da morte de tão cara. Apenas na apresentação lata de 500ml, a mãe das pilsens continua com seu incrível sabor de malte e aroma e sabor de lúpulo Saaz, e chegou muito pouco oxidada. Podia chegar num preço que atraísse e estimulasse os leigos que estão acostumados com as pilsens de mercado brasileiras a provar o que é a verdadeira pilsen. E podia vir na versão long neck também, que é tão classuda. Fica a sugestão para o importador...

    Ouvindo: Led Zeppelin - Bron-Y-Aur Stomp

Posted at 05:59 pm by guitarchitect
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Tuesday, October 23, 2007
URTHELS

    Atualmente produzidas no mosteiro de Koningshoeven, Holanda (o mesmo mosteiro trapista que produz as cervejas La Trappe), sob licença da De Leyerth Brouwerijen (cervejaria original da Urthel, na Bélgica), as Urthels já estão disponíveis há algum tempo por aqui, importadas pela Bier & Wein. São quatro variedades: a Urthel Hop-It (belgian IPA), a Parlus Magnificum (dubbel), a Hibernus Quentum (tripel) e a Samaranth (quadrupel). Criadas pelo casal Hildegard e Bas Van Ostaden, as Urthels ficaram famosas e conceituadas em todo o mundo. Além da qualidade, há de se destacar os Erthels, gnomos simpáticos que estampam os rótulos de todas as cervejas.

      

       Abaixo, a minha impressão sobre as quatro:

    A Parlus Magnificum é uma excelente representante do estilo dubbel: cor marrom escura, turva, 7,5% de álcool, muito aromática (ameixa, frutas pretas, chocolate), equilibrada, sabores de maltes tostados e lúpulo na medida. Uma das dubbels de maior envergadura por aqui.

      

    A Samaranth é uma quadrupel cavalar, com a perdão do trocadilho. Potente, superlativa como uma quadrupel deve ser. Do alto de seus 11,5% de álcool, muito açúcar residual e sabor intenso (muito, muito malte), tem ainda um final consideravelmente seco (apesar do açúcar) e lupulado para o estilo. A cor é um marrom avermelhado sedutor. Uma cerveja e tanto. Pena que a bebi naquele sábado passado que estava fazendo aquele calor bestial, o que me impediu de apreciá-la completamente. Geralmente não me deixo influenciar muito por condições climáticas (esse papo de cerveja bock só no inverno é brincadeira de criança!), mas uma quadrupel não é exatamente o tipo de cerveja para se tomar naquele calor infernal. Merece uma segunda degustação, num dia mais ameno. Aí sim, com certeza ela ficará mais bala ainda.

    A Urthel Hop-It é uma versão belga das IPAs americanas, principalmente. Ou seja, uma cerveja onde o lúpulo é protagonista. A presença de lúpulo é notável, porém não chega a ser massiva. Porém, fiquei com a impressão de que algo ficou faltando. Apesar dos 9,5% de álcool, percebi um certo desequilíbrio entre corpo e lúpulo, como se estivesse faltando malte (inclusive mais torrados um pouco) para sustentar tanto lúpulo e álcool. Merece também uma segunda avaliação, afinal de contas o lúpulo nela é bastante sedutor...

    Por fim, a melhor das quatro: a Hibernum Quentum é uma tripel danada de boa. Tudo que uma boa tripel deve ter se acha nela em perfeita harmonia: cor laranja turvo, muita complexidade de sabores e aromas, equilíbrio, teor alcóolico na medida (9%), aromas frutadíssimos (damasco, pêssego, laranja, tangerina), carbonatação frisante, espuma branca e densa, e muito sabor. Enfim, uma tripel sem defeitos, altamente recomendada!

    Mais um lançamento excelente para nós! E que venham ainda muitos gnomos e duendes da felicidade!!!

    Ouvindo: CSNY - Southern Man (live)


Posted at 09:21 pm by guitarchitect
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Monday, October 15, 2007
ENTREVISTA - DANILO MENDES

    Olá pessoal !

    Dando início à série de entrevistas com cervejeiros caseiros, publico aqui o bate-papo com Danilo Mendes, o criador da Gerais Cerveja Artesanal e vice-presidente da AcervA Minas (opa, mas essa é outra novidade que já vou contar aqui). Danilo participou das duas edições do BH Home Bier e vem fazendo bonito quando o assunto é cerveja, conquistando fãs incondicionais. Sua dubbel e sua porter com cardamomo deixaram muita gente impressionada. Suas cervejas podem ser degustadas no Frei Tuck Slow Beer, sempre que são produzidas. E o cara tá sempre arranjando uma novidade...

   
    Danilo degustando uma de suas obras



    A seguir, os melhores trechos da entrevista:
 

1-  Quando você começou a beber cerveja? Qual é o seu histórico com o precioso líquido?

    Puxa vida, meu histórico não é muito saudável... demorei a "aprender" a beber. Comecei cedo, logo aos 15, e também bebi muita porcaria que diziam ser cerveja. É fato que o paladar se apura com o tempo.

    Mas um dia aprendi a beber socialmente, e a apreciar o que bebo. Hoje aboli as bebidas destiladas e só bebo as fermentadas, principalmente cerveja. E cerveja de qualidade! É claro que bebo as "comerciais" também, mas só quando não tenho opção.

2-    E quando começou o interesse por cervejas especiais?

    Fui apresentado às cervejas especiais há uns 10 anos, quando experimentei pela primeira vez uma Baden Baden.  Ainda lembro que era uma Bock... é lógico que fiquei muito impressionado com o sabor diferenciado desta cerveja. Depois com a abertura da Krug Bier, pude experimentar outros tipos de cerveja, além do monopólio das Pilsen que existem hoje.

    Mas o interesse veio mesmo quando comecei a provar as cervejas da Eisenbahn.  Ficava muito impressionado porque cada uma era um sabor bem diferente da outra. Foi assim que fui apresentado aos diversos "Estilos". Minha curiosidade aumentou e comecei a pesquisar e estudar sobre o tema.

3-       Qual é o seu estilo (ou escola) favorito (a)?

    Minha escola favorita é a Belga, na qual se permite "quase tudo" na hora de elaborar uma receita. É a escola onde se admite os temperos, especiarias e sabores frutados / cítricos na composição da cerveja. É a verdadeira alquimia. Só lamento ainda não termos acesso no Brasil às leveduras (fermentos) próprias para fazer estas cervejas. Temos que utilizar sempre o mesmo tipo, o que dificulta a variação no sabor final da cerveja. O que na verdade nos ajuda, pois desta forma temos que nos esmerar na composição das receitas se quisermos alcançar resultados satisfatórios. Isso faz com que aprimoremos nossa arte e habilidades.

    Mas os estilos Ingleses também me atraem muito. As Porters, Brown Ales, Stouts (mais tipicamente representada pela Guinness) são cervejas muito agradáveis e de relativa facilidade em sua elaboração. São clássicos com séculos de tradição.

4-       Quando você teve a idéia de começar a fazer cerveja por conta própria? O que te influenciou a começar e com quem você aprendeu?

    Quando era garoto, por volta dos 12 anos, via o pai de um amigo meu fazendo cerveja. Achava aquilo muito legal. Mas perdi o contato e esqueci-me da coisa. Há uns anos, quando estive em Campos do Jordão e visitei a Baden Baden, vi de perto uma fábrica e fui apresentado aos processos de fabricação cervejeira. Renasceu o interesse, porém era um sonho distante ainda tendo em vista que as informações eram quase que "segredo de estado".

    Quando em 2004 eu comecei a participar do Orkut, descobri a comunidade "Cerveja Artesanal". Eram poucos na época, na maioria curiosos. Em Belo Horizonte, não tinha ninguém que fazia.

    Comecei a pesquisar pela internet e vi alguns sites que vendiam insumos. Resolvi tentar. As primeiras ficaram muito ruins... Um pouco pela inexperiência, mas também pela qualidade dos insumos que tinha acesso. Quem experimentou, já conhece o famigerado "fermento líquido" de um tal fornecedor mineiro. Era difícil sair coisa boa daquilo.

    Por coincidência, nesta época era inaugurada a Falke Bier. Conheci o Marco Falcone na Mercearia do Lili (tradicional bar de Belo Horizonte) e ele me convidou para visitar sua fábrica. Fiquei muito entusiasmado! Ele me ajudou muito. Foi o divisor de águas nas minhas experiências cervejeiras. Já havia feito 03 levas, sem muito sucesso. Ele me explicou direito os processos e me deu dicas valiosas para melhorar minhas cervejas. Lembro que disse a ele: "...o dia que minha cerveja ficar boa como a sua, vou estar realizado! " Estou quase lá... o que falta ainda não sei. Aliás, se soubesse, já tinha feito, he he.

    Depois com a popularização do Home Brewing, conheci o pessoal da Confraria da Cerveja de BH. Surgiram as trocas de experiências, o auxílio valioso do Paulo Schiaveto e os eventos do BH Home Bier. Agora, o céu é o limite!



Gerais Estrada Real: uma tripel "profissa" e poderosa...

5-       Quais foram as principais dificuldades que você enfrentou no início?

    Mais do que a falta de informação, foi a falta de ingredientes de qualidade. Hoje tenho acesso a muita coisa que não tinha há 03 anos, devido ao interesse em Home Brewing crescer a cada dia. Como sempre a demanda puxa a oferta.

    Montar o equipamento foi difícil também... tive que adaptar tudo. Coisas como Air Lock, Termômetro Digital, Sacarímetro eram bem difíceis de se achar. E bem caros também... Até a ferramenta para fechar as garrafas foi difícil encontrar. Teve uma produção em que eu utilizei garrafas PET recicladas... ainda não sabia que a cor da garrafa de cerveja (marrom escuro) era desta forma por uma boa causa, he he he. Nem preciso falar no que deu... foi minha primeira experiência com contaminação. Resultado: cerveja azeda e com cheiro de abacaxi passado.

    As limitações com espaço são até hoje um problema sério. Faço cerveja em casa, que na verdade é um apartamento pequeno, sempre limitado à quantidade de 20 litros (que é a capacidade da minha panela e do meu fermentador). Tenho a intenção de montar um equipamento em que possa produzir 100 litros por batch (que é como chamamos as produções). Mas para isso tenho que primeiramente conseguir um lugar adequado. Creio que isso será quando decidir evoluir do módulo "hobbies" para o módulo "Professionals".  

    Ainda espero que apareça um empresário de visão, e comece a produzir equipamentos próprios para a comunidade de Home Brewers. Mercado tem, é só saber explorar.

6-       Quais estilos você já produziu e quais você pretende produzir ainda?

    Eu já tentei copiar diversos estilos. IPA, Pale Ale, Stout, Porter, Brown Ale, Red Ale, Kölsch, até mesmo uma Weiss. Fiz também as belgas Wit e Triple e uma Lambic que não ficou muito boa não (afinal faltou o fermento próprio).

    Durante um bom tempo fui fazendo cerveja sem repetir uma receita anterior. Sempre experimentando novidades. Até que depois do primeiro BH Home Bier, percebi que havia um mercado para as cervejas caseiras. Decidi então aprimorar algumas receitas e repeti-las para gerar um padrão de qualidade.

    Hoje tenho em mente produzir mais ou menos 07 estilos (ou tipos) comercialmente. Triple, Smoked Brown Ale, Porter, estas 03 já tiveram uma boa aceitação, são as Estrada Real, Fogão de Lenha e Tiradentes (respectivamente). Além destas também produzirei as Pale Ale, Hefe-Weiss, Barley Wine e uma Christmas Ale. Essa última é um projeto ainda…

    Todas Ales, sempre. As Lagers eu nunca fiz e nem tenho condições para tal no momento, pois precisam de temperaturas bem controladas de fermentação e maturação.

7-       Por quê você escolheu a temática relacionada à Minas Gerais para os nomes das suas cervejas?

      Foi quase por acaso. Eu tinha em mente um nome de origem germânica, como quase todos pensam no início. Mas o nome que escolhi não caiu muito bem. O próprio Marco Falcone disse que não seria fácil e poderia gerar confusões na sua pronuncia.

   Então percorri o caminho inverso. Pensei primeiro no Marketing de divulgação e cheguei ao nome atual "Cerveja Gerais". O rótulo ajudou, pois escolhi o logo de um anjo bem no estilo do "Barroco Mineiro". Pensei em relacionar o estilo de cada cerveja que eu faço com um lugar ou um tema da cultura mineira. Todos os nomes das cervejas tem relação com os estilo (pelo menos na minha cabeça, he he). Creio que minhas aulas de Marketing na PUC valeram alguma coisa.

    E o nome caiu bem no gosto do povo. Alguns dizem logo de cara: "Já registrou esse nome? Faça logo, é muito legal." Estou providenciando isso no momento.

   A propósito, minha Christmas Ale irá se chamar "Pipiripau", em referência ao presépio mais famoso de BH. Aguarde, em breve na praça! Chegará para o Natal de 2007.



Gerais Fogão de Lenha: smoked brown ale frutada e encorpada.

8-       O que você acha do momento atual da cultura cervejeira no Brasil e como você vê o papel dos mineiros nesse movimento?

    O Brasil está saboreando hoje, o que já foi novidade na Europa e nos Estados Unidos. Até mesmo a nossa vizinha Argentina está anos em nossa frente.

  A cultura cervejeira está em grande expansão. Não só pelas micro-cervejarias que são abertas a cada ano, mas também pelo acesso às cervejas especiais importadas. Hoje o brasileiro tem opção de compra, mesmo nas gôndolas das grandes redes. Há também o crescimento de bares destinados a este público específico de apreciadores de cervejas especiais.

   Paralelamente a isto, está acontecendo o "boom" dos cervejeiros caseiros. Como disse anteriormente, há 04 anos não tinha nenhum cervejeiro caseiro em BH. Hoje, eu conheço pelo menos 15, e que estão produzindo cervejas de qualidade e que não deixam a desejar a nenhuma importada. Isto sem falar no pessoal do Vale do Aço, Juiz de Fora e Lavras.

    A turma mais organizada atualmente é a carioca, apesar de não ser a mais antiga. Graças à internet, temos feito um bom intercâmbio de informações e experiências. No último BH Home Bier, o vencedor foi um carioca, no evento do Rio, nosso amigo de BH, Rômulo Gresta, ficou em terceiro lugar num concurso que teve aproximadamente 40 cervejas analisadas.

    Creio que num futuro bem próximo teremos bares especializados em comercializar as cervejas artesanais caseiras. Pelo menos aqui em BH, a capital nacional dos bares.

    Nós mineiros temos muito a contribuir para este movimento. Como em tudo, o que fazemos, fazemos com qualidade!

9-         Por fim, mande uma mensagem para os leitores do BA!

    Aos leitores deste blog, que provavelmente tiveram sua introdução à cultura cervejeira pelo nosso amigo Rodrigo Lemos que, aliás, com certeza foi uma excelente experiência, gostaria de dizer para deixar-se apaixonar pelo mundo cervejeiro. (Sempre com moderação).

    O Universo da cerveja é tão rico quanto o do vinho, com uma deliciosa diferença: é possível fazer excelentes cervejas no Brasil, enquanto o vinho fica limitado por derivar diretamente das uvas, cujo no solo e clima do nosso país não é o mais propício.

    Somente com a difusão desta cultura é que poderemos mudar o mercado consumidor, que afinal de contas somos nós mesmos. Temos que exigir qualidade e não ficar "bebendo propaganda". Busque conhecer o que bebe, e com certeza irá apreciar melhor sua cervejinha de fim de semana.

    No mais, minha cerveja é a Gerais. Se você ainda não provou, um dia irá degustá-la com certeza. Nós da Confraria da Cerveja de BH, estamos sempre abertos a quem quiser conhecer ou se aprofundar nesta experiência. Venha que com certeza será bem recebido.


    Um abraço,

    Danilo Mendes – Cerveja Gerais

    § 11.


    Ouvindo: Led Zeppelin - Achilles Last Stand


Posted at 08:41 pm by guitarchitect
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