Uma grata surpresa foi a chegada das
Fuller's aqui no Brasil. Lendária representante da escola inglesa, a Fuller's sempre gozou de prestígio e fama por causa de cervejas como a
Fuller's London Pride.
A cervejaria de
Chiswick, distrito de
Londres, parece ser extremamente orgulhosa das cervejas que produz, e o orgulho e esmero transparecem em suas garrafas. E é pra ter mesmo. Degustei as 5 versões disponíveis no Brasil:
London Pride,
Golden Pride,
1845,
London Porter e
ESB.

A
Golden Pride é uma
barley wine estupenda. Licorosa, de final doce, maltes caramelizados, alcóolica (8,5% A.B.V.), aroma intenso de lúpulo, frutada, encorpada, de final persistente. Complexa, rica, forte, muito aromática e saborosa, é uma cerveja de enorme envergadura.

Já a
1845 é uma
strong ale acachapante. Maturada por 100 dias (!!!), é a cerveja comemorativa dos 150 anos da cervejaria, e possui o melhor aroma de cerveja inglesa que já senti. Um bouquet de lúpulo absurdamente aromático, cercado por maltes caramelizados, ésteres de frutas, carvalho e bala toffee. Com o teor de apenas 6,3%, apresenta sabor e corpo próximos de uma barley wine. Amargor balanceado, sabor persistente, é uma ale pra se tomar de joelhos. Não é à toa que é multipremiada...

A
London Porter é uma representante digna do estilo. Uma porter com todas as características do estilo muito bem balanceadas e presentes: aromas e sabores de chocolate, café, torrado, toffee e baunilha, cor marrom escuro, quase preta, e teor alcóolico de 5,4%. Satisfação garantida aos fãs do estilo.

A
London Pride exibe as qualidades das cervejas anteriores, principalmente no que diz respeito à complexidade de sabores e aromas, o uso magistral dos lúpulos aromáticos e de sabor e dos maltes caramelizados. Talvez falte um pouco de corpo e álcool (4,7%) para tanta complexidade de aromas e sabores, mas mesmo assim é uma tremenda cerveja.

Já a
ESB foi uma decepção relativa. Relativa porque, apesar de absurdamente deliciosa, aromática, viciante, esperava mais amargor e álcool dela. Principalmente amargor, que é menor do que de algumas pale ales. Seria um amargor proporcional ao da
Ruddles County, por exemplo, porém mais persistente. Esperava mais perigo, mais intensidade, afinal era uma
ESB. Com certeza, trata-se mais de uma
extra special bitter do que uma
extra strong bitter. No final, se mostrou fácil de beber, "comportadinha". Mas, ainda assim, deliciosa.
Aguardo agora, ansiosamente, as
Samuel Smith. Acredito ser o próximo passo a se dar em termos de cervejas inglesas.
Hail to the pride!
Ouvindo:
Led Zeppelin - Over The Hills And Far Away