Rodrigo Lemos - Arquiteto, baterista, cervejólogo, beer sommelier, presidente da Confraria da Cerveja de BH e membro fundador da Acerva Mineira.

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O Blog da Cerveja

Este blog foi configurado por um apreciador, colecionador e estudioso dessa bebida maravilhosa que é a cerveja. Este espaço tem a pretensão de informar, esclarecer e divulgar um pouco mais esse universo fascinante da melhor bebida do universo.
Divirtam-se e... saúde !!!




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Sunday, November 18, 2007
SÉRIE TRAPISTAS VOL.1 - ORVAL

   

    A lenda diz que uma viúva, de nome Mathilda, perdeu seu anel de casamento, que caiu acidentalmente numa fonte. Ela rezou a Deus e imediatamente uma truta apareceu na superfície com seu anel na boca. Em gratidão, a viúva decidiu estabelecer um monastério no lugar onde hoje ele se encontra.
    A história do lugar remonta aos anos 1000, porém, somente em 1926 as ruínas de Orval foram oferecidas à Ordem dos monges Cistercienses, mais conhecidos como Trapistas, que a reconstruíram e lá se estabeleceram. Lá iniciaram a produção de cerveja e queijo, que mantêm até hoje.
    A Orval é uma cerveja muito peculiar, mesmo para os padrões belgas. É feita com adição de açúcar cervejeiro no mosto, maltes em sua maioria claros, além de uma pequena quantidade de malte caramelo e os lúpulos Hallertau e Styrian Goldings (alemão e iugoslavo, respectivamente), além de cepa própria de fermento, que trabalha de 15ºC a 20ºC e nada menos que a água da fonte da viúva Mathilda! Os lúpulos são adicionados também na segunda fermentação, para aperfeiçoar os aromas. Após uma maturação de três semanas à temperatura de 15ºC, açúcar líquido e fermento são adicionados para a refermentação na garrafa. Por quatro semanas, a cerveja descansa, sempre à temperatura de 15ºC, quando pode finalmente deixar a cervejaria do monastério, depois de 2 meses completos.
    Envasada numa garrafa de vidro âmbar no belíssimo formato de pino de boliche, com um sutil rótulo em forma de colar em volta de seu pescoço, mostrando o símbolo da cervejaria (a truta com o anel na boca), a cerveja se apresenta turva, de cor castanho-âmbar, e espuma muito densa e abundante, de cor caramelo, rica. O aroma é único: fortemente medicinal, lembra em primeiro lugar iodo, e também zimbro, floral. Na boca se revela ácida, cítrica, até mesmo salgada, densa e complexa. O álcool se revela presente e aquece, apesar dos modestos 6,2%, que podem ser considerados baixos para esse tipo de cerveja. E não foge à regra das cervejas belgas, que ficam melhores à medida que vão esquentando no copo. No caso da Orval isso é mais nítido, levando-se em consideração que o choque inicial de uma cerveja tão peculiar é absorvido à medida que se sorve o líquido, e se acostuma rápido à sua complexidade e seu sabor único.

    Ouvindo: Exodus - Throwing Down

Posted at 08:25 pm by guitarchitect

 

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